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Vendas em bares e restaurantes crescem 8,2% no RN, mas setor enfrenta dificuldades financeiras

03/11/2026


Setor registrou alta de 8,2% nas vendas em setembro, abaixo da média nacional de 10,8%; pesquisa da Abrasel aponta que 39% dos estabelecimentos potiguares têm contas em atraso

As vendas de bares e restaurantes do Rio Grande do Norte cresceram 8,2% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar do avanço, apenas 31% dos estabelecimentos potiguares conseguiram operar com lucro. Os dados são do Índice Abrasel-Stone e da Pesquisa Mensal Abrasel, que analisam o desempenho financeiro do setor de alimentação fora do lar.

O resultado ficou abaixo da média nacional, que registrou alta de 10,8% nas vendas e 36% dos negócios com resultado financeiro positivo. No RN, 42% dos estabelecimentos encerraram setembro em equilíbrio financeiro, enquanto 26% tiveram prejuízo.

Na comparação com agosto, 33% dos empresários potiguares relataram aumento no faturamento, percentual superior à média brasileira, de 28%. Outros 40% registraram queda nas vendas e 24% informaram estabilidade.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel-RN), Thiago Haddad, o aumento do movimento não significa necessariamente melhora nas contas dos estabelecimentos. Segundo ele, despesas com insumos, mão de obra e tributos continuam pressionando os resultados das empresas.

“Os números mostram que o consumidor continua frequentando bares e restaurantes, o que é positivo para o setor. Mas precisamos observar que vender mais não significa necessariamente lucrar mais. Os empresários ainda enfrentam custos elevados com insumos, mão de obra e tributos, o que compromete as margens de lucro. Nosso desafio é transformar esse crescimento do faturamento em resultados mais consistentes, garantindo a sustentabilidade dos negócios e a manutenção dos empregos”, afirmou Haddad.

A Pesquisa Mensal Abrasel de outubro identificou que 39% dos bares e restaurantes potiguares possuem pagamentos em atraso. Entre os estabelecimentos nessa situação, 68% têm pendências com impostos federais, 48% com tributos estaduais, 45% com encargos trabalhistas e 39% com compromissos bancários.

Os dados também apontam limitações para repassar os custos aos consumidores. Nos últimos 12 meses, 49% dos empresários não aumentaram os preços dos cardápios, enquanto 43% aplicaram reajustes iguais ou inferiores à inflação. Apenas 8% conseguiram elevar os valores acima da variação inflacionária.

A combinação de custos operacionais elevados e dificuldades para reajustar os preços ajuda a explicar por que o crescimento das vendas não se refletiu em lucro para a maioria dos estabelecimentos pesquisados.

Apesar das dificuldades financeiras, 84% dos empresários potiguares consideram que as festas de fim de ano contribuem para aumentar o faturamento. Entre os entrevistados, 49% esperam registrar crescimento de até 10% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto 43% pretendem contratar funcionários para atender à demanda.

No cenário nacional, o Índice Abrasel-Stone apontou crescimento de 9,9% nas vendas durante o terceiro trimestre de 2026, em comparação com igual período do ano passado. Em setembro, o Nordeste registrou alta de 12,7%, acima do resultado brasileiro de 10,8%.

O Índice Abrasel-Stone acompanha transações financeiras do setor em 24 estados brasileiros. Já a Pesquisa Mensal Abrasel, realizada entre 13 e 20 de outubro, reuniu informações sobre faturamento, lucratividade, endividamento, reajustes de preços e expectativas para o encerramento do ano.

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