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SUS vai oferecer cirurgia que trata glaucoma e catarata numa intervenção só

23/09/2026


Olho humano em close; o novo procedimento é indicado para glaucoma leve ou moderado e pode ser feito durante a cirurgia de catarata — Pexels

Técnica menos invasiva entra na rede pública para casos leves e moderados e pode ser feita durante a cirurgia de catarata, com recuperação mais rápida

Uma cirurgia só vai poder tratar dois problemas que ameaçam a visão e ficam mais comuns com a idade. O Sistema Único de Saúde (SUS) vai incorporar um procedimento capaz de cuidar de glaucoma e catarata numa intervenção única, segundo decisão que o Ministério da Saúde publicou na quinta-feira 17, no Diário Oficial da União.

A abordagem é destinada a quem tem glaucoma primário de ângulo aberto em estágio leve ou moderado, e pode ser realizada durante a cirurgia de catarata. É uma técnica menos invasiva do que as alternativas disponíveis até agora, com recuperação mais rápida, menor risco de complicação e mais controle da pressão dentro do olho.

Quem propôs a incorporação foram, em conjunto, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec. O procedimento também deve entrar no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do glaucoma, o PCDT, documento que orienta o que a rede pública oferece em cada estágio da doença.

O que muda no tratamento

Na rede pública, o caminho costuma começar pelo colírio, usado para baixar a pressão intraocular. Quando o remédio não dá o resultado esperado, ou quando há dificuldade para usá-lo, o tratamento avança para procedimento a laser ou para cirurgia, incluindo dispositivos de drenagem oftalmológica, caso do iStent.

A novidade amplia esse caminho com duas técnicas. A primeira é a goniotomia excisional, feita por uma pequena incisão na córnea para facilitar a saída do líquido do olho. A segunda é a trabeculotomia transluminal: nela, o cirurgião introduz um microcateter ou um fio no próprio canal de drenagem do olho, sem criar caminho novo.

Na prática, quem já vai operar a catarata pode sair da mesma cirurgia com o glaucoma tratado, sem precisar de uma segunda ida à sala e de um segundo pós-operatório. A indicação restrita ao estágio leve ou moderado, porém, significa que a técnica não substitui as cirurgias usadas nos casos avançados.

A conta do procedimento

Além de reduzir a agressividade do tratamento, a mudança passou por análise econômica. Documento da Conitec calcula que a goniotomia excisional custa cerca de R$ 18 mil a menos por ano de vida saudável ganho pelo paciente do que o iStent. A mesma estimativa aponta economia de R$ 22,4 milhões já no primeiro ano de adoção da técnica.

Duas doenças, um procedimento

A catarata acontece quando o cristalino — a lente natural que fica dentro do olho — perde transparência e fica opaco. A alteração vai reduzindo a capacidade visual e atinge principalmente a população idosa.

O glaucoma é outra coisa: uma doença crônica que compromete o nervo óptico, responsável por levar ao cérebro as imagens captadas pelos olhos. Provoca perda progressiva de células da retina e pode ir estreitando a visão periférica, muitas vezes sem que a pessoa perceba de imediato.

Controlar a pressão intraocular é uma das principais frentes do tratamento, porque a pressão alta acelera o dano ao nervo óptico. Sem acompanhamento e sem tratamento na dose certa, a perda de visão causada pela doença avança e não volta atrás.

 

Pelos dados que a Conitec reuniu, o glaucoma é a segunda causa de cegueira em todo o mundo, atrás justamente da catarata. Com a incorporação, quem tem indicação para tratar as duas condições passa a contar com uma alternativa que junta os procedimentos e reduz a necessidade de duas idas à sala de cirurgia.

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