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Crédito recua no RN e inadimplência alcança 1,38 milhão de consumidores

27/08/2026


Movimento no comércio da Cidade Alta, em Natal — José Aldenir

Pontuação média dos potiguares caiu cinco pontos em um ano, enquanto dívidas em atraso somam R$ 8,01 bilhões; cartão e crédito bancário lideram os débitos

A pontuação média de crédito dos consumidores do Rio Grande do Norte caiu de 529 para 524 pontos entre abril de 2025 e abril de 2026. O recuo acompanha o movimento observado no Brasil, onde a média passou de 548 para 542, e no Nordeste, que registrou redução de 527 para 525 pontos. Os dados são do Mapa Score do Brasil, elaborado pela Serasa.

Apesar da queda, a média potiguar permanece na faixa considerada “boa”, situada entre 501 e 700 pontos. O Estado ocupa a sexta posição no ranking nordestino. O Rio Grande do Norte e o Maranhão perderam cinco pontos no período, enquanto Ceará e Piauí apresentaram as maiores retrações da região, com seis pontos cada.

Maranhão e Ceará encerraram abril com a menor pontuação média do Nordeste, ambos com 511 pontos. O Piauí ficou com 520 pontos, a sétima menor média regional. Segundo a Serasa, a redução dos indicadores está associada ao crescimento do número de consumidores com contas atrasadas e registros de negativação.

Em julho, 1,38 milhão de potiguares estavam inadimplentes, contingente equivalente a cerca de um terço da população estadual. Esses consumidores acumulavam mais de 4,5 milhões de dívidas, que somavam R$ 8,01 bilhões. No Brasil, o número de inadimplentes chegou a 83 milhões.

As mulheres representavam 53,2% dos consumidores endividados no Estado, enquanto os homens correspondiam a 46,8%. Cartões e bancos concentravam 31,64% das pendências. Contas de água, energia elétrica, telecomunicações, gás e outros serviços apareciam com 9,67%, seguidas pelo varejo, com 5,85%.

“Esse comportamento no RN acompanha a tendência observada em todo o país: o crédito bancário e o cartão de crédito figuram historicamente como os maiores gargalos do orçamento familiar brasileiro, especialmente impulsionados pelas altas taxas de juros do crédito rotativo”, afirmou Wesley Brandão, gerente de Score da Serasa.

A pressão também aparece nos dados de Natal. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio, a inadimplência declarada na capital subiu de 23,2% em junho para 34,1% em julho. Foi o maior avanço entre Natal, Recife, Fortaleza, João Pessoa e Maceió.

O índice permanece seis pontos abaixo do registrado em julho de 2025. Natal também apresenta a menor proporção de famílias sem condições de pagar as contas atrasadas entre as cinco capitais: 2,3%, ante 18,1% no Recife e 12,3% na média brasileira.

Para o comércio, o aumento da inadimplência pode restringir o acesso ao crediário, direcionar consumidores para modalidades mais caras e reduzir o valor das compras futuras. “O consumidor natalense está endividado, mas com capacidade de pagamento”, avaliou a Fecomércio-RN.

 

Brandão explica que o score reflete o histórico de pagamentos e os hábitos financeiros. “Quanto maior o contingente de negativados, maior o impacto para baixo na média geral do Estado”, afirmou. O indicador é utilizado pelas empresas para estimar o risco de inadimplência antes da concessão de crédito.

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