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Enem: 63% dos estudantes relatam ansiedade antes da prova

03/08/2026


Especialista explica como a pressão pela aprovação afeta a rotina dos candidatos e orienta sobre cuidados com a saúde mental

A pouco mais de dois meses da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcada para os dias 8 e 15 de novembro, a ansiedade já faz parte da rotina de milhares de estudantes. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), na pesquisa Escolha Profissional e Ansiedade, mostra que 63% dos alunos do Ensino Médio relatam ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e na prova. Especialistas alertam que, quando não é controlada, a ansiedade pode comprometer tanto a preparação quanto o desempenho dos candidatos.

Segundo a psicóloga Brenda Barra, é natural sentir ansiedade diante de acontecimentos importantes, mas o quadro exige atenção quando passa a impedir atividades cotidianas. “Uma ótima régua é a gente pensar ‘será que a gente está deixando de fazer, de tomar atitudes que são importantes? […] Se impede você de fazer as coisas que são consideradas importantes, aquilo já passou de algo natural e passa a ser algo prejudicial”, afirmou. Para ela, muitos candidatos deixam de estudar ou até evitam comparecer à prova porque só de pensar no exame provoca sofrimento intenso.

A psicóloga explica que a pressão vivida pelos estudantes favorece a chamada síndrome do desempenho, em que uma nota passa a definir a autoestima do jovem. “Quando a gente fala de ‘eu me dei mal na prova’, não é sobre a prova. O pensamento passa a ser ‘eu não sou bom o suficiente, eu não tenho capacidade’. Isso não define quem você é. É algo pontual daquele momento”, disse. Segundo Brenda, muitos candidatos chegam ao Enem com domínio do conteúdo, mas encontram dificuldade para demonstrar conhecimento devido ao estresse acumulado ao longo do ano.

Os primeiros sinais de esgotamento podem ser percebidos antes mesmo da prova. De acordo com a especialista, alunos antes interessados nas aulas passam a perder o interesse pelos estudos, apresentam dificuldade de concentração, cansaço constante e sintomas físicos, como taquicardia e sudorese.

 

“Tem muita gente que começa a não conseguir mais acessar os estudos. É um esgotamento tão grande que ela vai se distanciando dessa questão”, afirmou. A psicóloga acrescenta que professores e familiares costumam ser os primeiros a perceber mudanças de comportamento e podem contribuir para a identificação precoce do problema.

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