Uso de sachês de nicotina cresce no mundo e gera debate no Brasil
03/08/2026

Produtos sem combustão ganham espaço no mercado internacional, mas enfrentam críticas sobre dependência, riscos à saúde e atração de jovens
Os sachês de nicotina e outros produtos sem combustão vêm ampliando participação no mercado internacional e dividindo opiniões entre autoridades de saúde, pesquisadores e indústria do tabaco. Enquanto os Estados Unidos autorizaram recentemente a comercialização de algumas bolsas de nicotina com alegações de menor risco em comparação ao cigarro convencional, o Brasil mantém a venda proibida e iniciou uma análise regulatória que poderá definir o futuro desses produtos no País.
A discussão ganhou força após a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana, conceder autorização para que 20 sachês da marca ZYN, da Philip Morris, sejam vendidos com a informação de que o uso do produto em substituição ao cigarro reduz o risco de doenças como câncer de boca, câncer de pulmão, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), enfisema e bronquite crônica.
Mesmo assim, a FDA ressalta que os sachês, vendidos em sabores como menta, citrus e café e com concentrações entre 3 mg e 6 mg de nicotina, não são isentos de riscos e não devem ser utilizados por pessoas que não fumam. O órgão considera, porém, que eles podem reduzir a exposição a diversas substâncias tóxicas produzidas pela combustão do cigarro.
Outro segmento em expansão é o dos dispositivos de tabaco aquecido, como o IQOS, da Philip Morris, e o glo, da British American Tobacco (BAT). Diferentemente do cigarro convencional, esses aparelhos aquecem o tabaco entre 250°C e 350°C, enquanto a combustão do cigarro pode atingir temperaturas entre 700°C e 900°C.
A indústria defende que tanto os dispositivos aquecidos quanto os sachês representam alternativas para fumantes adultos, já que eliminam a fumaça e parte das substâncias tóxicas produzidas pela combustão. Além disso, os sachês não contêm tabaco em sua composição e são utilizados entre a gengiva e os dentes, sem inalação.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que não existe nenhum sachê de nicotina autorizado para comercialização. Como esses produtos não se enquadram nas categorias já regulamentadas para cigarros ou cigarros eletrônicos, a agência incluiu o tema em sua Agenda Regulatória 2026-2027.
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