Como evitar o “efeito sanfona” após o emagrecimento
27/07/2026

Recuperar o peso perdido é uma das principais dificuldades no tratamento da obesidade; dietas excessivamente restritivas podem favorecer episódios de compulsão alimentar - Foto: magnific
Nutricionista afirma que emagrecer exige mudanças permanentes nos hábitos, destaca a importância do sono, da atividade física e da alimentação equilibrada
Perder peso costuma ser apenas a primeira etapa do tratamento da obesidade. O maior desafio, segundo a nutricionista Cláudia Helena, é manter o resultado a longo prazo. A especialista afirmou que dietas restritivas e estratégias de curto prazo favorecem o chamado efeito sanfona e podem aumentar o risco de doenças associadas ao excesso de gordura corporal.
Segundo ela, uma das situações mais frequentes no consultório é o relato de pacientes que conseguem emagrecer, mas recuperam rapidamente o peso perdido. Na maioria dos casos, o problema não está no metabolismo, como muitos acreditam, mas na forma como o processo de emagrecimento é conduzido.
A nutricionista explicou que a recuperação do peso normalmente ocorre com aumento da gordura corporal e não da massa muscular, o que pode elevar ainda mais o risco de obesidade e doenças crônicas. Ela acrescentou que erros alimentares e o sedentarismo estão entre os principais fatores relacionados ao ganho de peso.
Para Cláudia Helena, o emagrecimento precisa ser encarado como uma mudança permanente de estilo de vida. “O segredo não é fazer a dieta perfeita por 30 dias. É construir uma alimentação que dure 30 anos”, afirmou.
Ela ressaltou que muitas pessoas abandonam o tratamento por criarem expectativas irreais em relação à velocidade da perda de peso. Segundo a nutricionista, além da redução dos números na balança, é importante observar mudanças no comportamento alimentar, na disposição e até no ajuste das roupas.
A especialista destacou que a manutenção do peso depende de um conjunto de fatores. Entre eles estão a qualidade do sono, a prática regular de atividade física, o controle do estresse e uma alimentação equilibrada.
Segundo Cláudia Helena, dormir bem também influencia o emagrecimento. Caso a pessoa tenha dificuldade para ter um sono reparador, ela recomenda buscar avaliação profissional.
Ela explicou ainda que o envelhecimento provoca redução natural da massa muscular, o que contribui para diminuir o metabolismo. No entanto, considera que a queda na prática de exercícios, o aumento do estresse e a piora da qualidade do sono têm impacto ainda maior sobre o ganho de peso.
A nutricionista também chamou atenção para o consumo excessivo de proteínas. Segundo ela, a ingestão deve respeitar as necessidades individuais e o excesso pode provocar problemas de saúde.
Compulsão alimentar
Outro ponto abordado foi o risco das dietas muito restritivas, especialmente aquelas que eliminam grupos alimentares inteiros ou prometem perda acelerada de peso. Segundo Cláudia Helena, esse tipo de estratégia pode favorecer o desenvolvimento de compulsão alimentar e dificultar ainda mais o controle do peso no futuro.
Ela afirmou que um dos principais equívocos de quem deseja emagrecer é acreditar que o tratamento exige passar fome. Na avaliação da nutricionista, também é necessário diferenciar a fome fisiológica da fome emocional, que muitas vezes está relacionada ao estresse, ansiedade ou problemas de sono.
“Quando a gente identifica esses fatores, vai trabalhando. E dessa forma acontece a mudança do comportamento alimentar”, disse.
Canetas emagrecedoras
Cláudia Helena também comentou sobre o uso das canetas emagrecedoras, como o Mounjaro. Ela declarou ser favorável ao tratamento quando existe indicação médica e acompanhamento multiprofissional.
Segundo a nutricionista, os medicamentos representam um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes, mas não substituem mudanças nos hábitos de vida.
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