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Meta retira recurso de IA do Instagram após críticas sobre uso de imagens públicas

14/07/2026


Meta retirou do Instagram um recurso de inteligência artificial que permitia criar imagens com base em perfis públicos após diversas críticas sobre privacidade e direitos autorais na web - Foto: reprodução

Empresa voltou atrás após reação de usuários e da indústria do entretenimento, que apontaram riscos à privacidade, aos direitos autorais e ao uso indevido da imagem de terceiros

A Meta decidiu retirar do Instagram um recurso de inteligência artificial lançado na terça-feira passada após enfrentar críticas relacionadas ao uso de imagens de perfis públicos da plataforma. A funcionalidade fazia parte da estreia do Muse Image, novo gerador de imagens por inteligência artificial da empresa, e permitia que usuários criassem imagens utilizando como base fotografias e conteúdos disponíveis em contas públicas, sem necessidade de autorização prévia dos titulares.

A ferramenta provocou uma reação imediata nas redes sociais, onde milhares de usuários passaram a questionar o impacto da tecnologia sobre privacidade e direitos autorais. As críticas também chegaram à indústria do entretenimento dos Estados Unidos, levando entidades representativas de artistas e grandes agências de talentos a contestarem a iniciativa da companhia.

Em comunicado, a Meta confirmou a retirada da funcionalidade e afirmou que a decisão foi tomada após avaliar a repercussão negativa. “Nossa intenção era oferecer uma ferramenta criativa útil. Ouvimos o feedback de que o recurso não atingiu o objetivo e, por isso, ele não está mais disponível”, informou a empresa.

A novidade integrava o lançamento do Muse Image, sistema desenvolvido pela Meta para geração de imagens por inteligência artificial. Logo após a disponibilização da ferramenta no Instagram, usuários passaram a compartilhar críticas nas redes sociais, argumentando que a possibilidade de utilizar imagens públicas sem consentimento poderia abrir espaço para violações de privacidade e uso indevido da identidade de terceiros.

A reação também mobilizou representantes da indústria audiovisual norte-americana. A Screen Actors Guild-American Federation of Television and Radio Artists (SAG-AFTRA), principal entidade sindical que representa atores e profissionais da televisão e do cinema nos Estados Unidos, classificou a iniciativa como “um completo erro de avaliação do sentimento do público” em relação ao uso da inteligência artificial.

Outra manifestação veio da Creative Artists Agency (CAA), uma das maiores agências de talentos de Los Angeles, que definiu o recurso como “irresponsável”, ampliando a pressão sobre a Meta para rever a funcionalidade.

O episódio se soma a uma série de controvérsias envolvendo empresas de tecnologia e ferramentas de inteligência artificial. Em setembro de 2025, a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, também enfrentou questionamentos sobre direitos autorais ao lançar o Sora, gerador de vídeos baseado em IA. Posteriormente, a empresa firmou acordos com alguns estúdios para utilizar conteúdos protegidos por direitos autorais na produção de vídeos, mas acabou encerrando o aplicativo em março deste ano.

Outra plataforma que enfrentou problemas semelhantes foi a rede social X. No início deste ano, a empresa precisou limitar o funcionamento do chatbot Grok após a circulação de milhões de imagens manipuladas de mulheres e crianças reais com pouca ou nenhuma roupa, produzidas com auxílio da inteligência artificial.

 

O Google também já foi alvo de críticas relacionadas às suas ferramentas de geração de imagens por IA. A empresa recebeu questionamentos sobre a forma como seus sistemas criam conteúdos visuais, alimentando um debate crescente sobre os limites da inteligência artificial, o respeito aos direitos autorais, a proteção da privacidade e a necessidade de mecanismos capazes de impedir o uso indevido de imagens de pessoas reais.

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