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Indústria mantém estabilidade em maio com avanço de apenas 0,2% no faturamento

10/07/2026


A atividade da indústria brasileira permaneceu praticamente estável em maio, refletindo um ambiente de desaceleração da economia e de crédito mais restritivo. Dados divulgados nesta quinta-feira 9, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que tanto o faturamento quanto às horas trabalhadas na produção ficaram praticamente inalteradas em relação a abril, enquanto o nível de utilização da capacidade instalada apresentou leve recuperação.

O faturamento real da indústria de transformação avançou 0,2% na comparação com abril, registrando o sétimo mês consecutivo sem retração. Apesar da sequência positiva, o ritmo de crescimento perdeu força nos últimos meses. Após expansão de 3,8% em março, o indicador desacelerou para 0,5% em abril e praticamente estagnou em maio. No acumulado de janeiro a maio, o faturamento recua 2,7% frente ao mesmo período de 2025.

As horas trabalhadas na produção também permaneceram estáveis em maio, após queda de 1,3% registrada em abril. O comportamento do indicador contrasta com o desempenho observado no primeiro trimestre, quando a atividade industrial apresentou recuperação mais consistente. Nos cinco primeiros meses do ano, o volume de horas trabalhadas acumula retração de 1,6% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Em sentido oposto, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) registrou leve alta. O indicador passou de 77,1% em abril para 77,5% em maio, aumento de 0,4 ponto percentual. Ainda assim, a média observada entre janeiro e maio permanece 0,9 ponto percentual abaixo da registrada no mesmo período de 2025, indicando que parte do parque industrial continua operando com capacidade ociosa.

Na avaliação da especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, os resultados refletem o impacto da política monetária sobre o setor produtivo.

“A retração da atividade industrial nos primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, reforça o ambiente desfavorável no qual o setor produtivo se encontra, com a política monetária exercendo um papel relevante no encarecimento do crédito, no aumento do endividamento, na desaceleração da demanda e no desestímulo à aquisição de máquinas e equipamentos.”

O mercado de trabalho industrial apresentou sinais mistos. O emprego cresceu 0,5% em maio, interrompendo uma sequência de duas quedas consecutivas. Apesar da recuperação no mês, o número de trabalhadores empregados pela indústria ainda acumula redução de 0,6% nos cinco primeiros meses de 2026 em comparação com igual período do ano passado.

Os indicadores de remuneração, por outro lado, registraram retração. A massa salarial real caiu 3,2% em maio, embora ainda acumule alta de 0,8% entre janeiro e maio. O rendimento médio dos trabalhadores também recuou no mês, com queda de 3,3%, mas permanece 1,4% acima do observado nos cinco primeiros meses de 2025.

 

Os resultados reforçam o cenário de perda gradual de dinamismo da indústria ao longo do segundo trimestre. Embora alguns indicadores permaneçam em patamar superior ao observado durante os períodos de maior desaceleração econômica, o desempenho do setor continua condicionado ao elevado custo do crédito, à demanda doméstica mais fraca e ao adiamento de investimentos produtivos em um ambiente de juros elevados.

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