RN tem aumento de 51% nos casos de LGBTfobia
01/07/2026

Entre janeiro e abril, RN registrou 25 boletins de ocorrência e instaurou 15 inquéritos relacionados a casos de LGBTfobia - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Registros saíram de 51 para 77 em um ano, enquanto especialistas alertam para impactos na saúde mental e governos destacam políticas de proteção
O Rio Grande do Norte registrou um aumento de 51% nos casos de LGBTfobia (crimes conta pessoas da comunidade LGBTQIAPN+) entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Delegacia Especializada no Combate a Crimes Raciais, Intolerância e Discriminação (Decrid). O número de boletins de ocorrência passou de 51 para 77 no período, enquanto os inquéritos instaurados cresceram de 34 para 49.
Em 2026, os dados preliminares apontam que, apenas entre janeiro e abril, já foram registrados 25 boletins de ocorrência e instaurados 15 inquéritos. Para especialistas, os números revelam que a violência e a discriminação seguem produzindo impactos profundos na vida da população LGBTQIA+, especialmente na saúde mental.
Os dados da Decrid mostram ainda que maio e outubro têm se repetido entre os meses com maior número de registros. Em 2025, a média mensal ficou acima de seis ocorrências, chegando a 12 casos em maio e novembro. Já em 2026, março concentrou o maior volume até agora, com 11 registros.
Para a psicóloga Renata Myrrha, os números refletem uma realidade que ultrapassa os episódios de violência registrados pelas autoridades. Ela afirma que a saúde mental da população LGBTQIA+ está diretamente relacionada ao ambiente familiar, às relações sociais e ao acolhimento recebido ao longo da vida.
“A saúde mental não é construída apenas dentro de cada indivíduo. Ela nasce e se desenvolve também nos vínculos, nos afetos e nos espaços onde nos sentimos seguros para existir. Para a população LGBTQIA+, essa realidade ganha ainda mais relevância”, explica.
Segundo a psicóloga, estudos mostram que a aceitação familiar figura entre os principais fatores de proteção para pessoas LGBTQIA+, reduzindo índices de ansiedade, depressão, isolamento social e sofrimento emocional. Em sentido oposto, a rejeição pode deixar consequências duradouras.
“Quando uma pessoa encontra em casa acolhimento, respeito e apoio, há redução significativa dos índices de ansiedade, depressão, isolamento social e sofrimento emocional. Por outro lado, a rejeição, os silêncios e as tentativas de invalidar sua identidade podem produzir marcas profundas que atravessam toda a vida”, conta.
Ela ressalta que acolher não significa compreender imediatamente todas as questões relacionadas à identidade de gênero ou orientação sexual, mas permanecer presente. “Acolher não significa compreender tudo imediatamente. Significa permanecer presente. Significa escolher o amor acima do preconceito, a escuta acima do julgamento e o vínculo acima das diferenças.”
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