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Homem morre em cadeira de rodas em recepção de UPA no DF

22/06/2026


Caso ocorreu na recepção da UPA do Recanto das Emas; Polícia Militar isolou a área após constatação da morte - Foto: Reprodução

Caso ocorreu na tarde de sexta-feira 20; Iges-DF diz que paciente não tinha ficha de atendimento aberta e estava em situação de vulnerabilidade social

Um homem em uma cadeira de rodas morreu no dia 20 de junho enquanto aguardava na recepção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Recanto das Emas, no Distrito Federal.

Após a constatação da morte, a filha foi comunicada e recebeu atendimento da equipe de serviço social da unidade. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o homem sentado na cadeira de rodas, com braços e cabeça caídos na recepção.

O Iges-DF (Instituto de Gestão Estratégica em Saúde), responsável pela unidade, informou que o homem não aguardava atendimento médico no momento da ocorrência. Segundo o instituto, ele era uma “pessoa em situação de vulnerabilidade social”.

“Homem não possuía ficha de atendimento aberta e não havia passado por classificação de risco ou qualquer outro procedimento assistencial”, informou o instituto. A entidade disse também que ele era conhecido das equipes e frequentava o local com regularidade em razão da condição de vulnerabilidade social.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram testemunhas tentando impedir a retirada do corpo até a chegada da polícia. “Não vai tirar não, ele está morto, está todo mundo vendo aqui”, dizem testemunhas. “Não é para levar que a polícia está chegando.” Outra imagem mostra a Polícia Militar do Distrito Federal isolando a área ainda com o corpo na cadeira de rodas.

Por volta das 14h30, pessoas que estavam no local perceberam “uma alteração no homem e acionaram a equipe da unidade”, segundo o Iges-DF. Profissionais de saúde realizaram avaliação e constataram a ausência de sinais vitais. Em seguida, Polícia Militar do Distrito Federal e Polícia Civil do Distrito Federal foram acionadas para os procedimentos legais.

O instituto informou que adotou providências após tomar conhecimento do caso e instaurou procedimento apuratório “destinado a esclarecer, com rigor, transparência e imparcialidade, todas as circunstâncias do ocorrido”. A entidade afirmou ainda que “reafirma seu compromisso institucional com a prestação de uma assistência segura, humanizada e de excelência à população do Distrito Federal” e que “seguirá colaborando integralmente com os órgãos competentes”.

A família relatou que Vilmar da Silva, de 49 anos, tinha histórico de problemas de saúde após um episódio de convulsão há cerca de cinco anos, que resultou em traumatismo craniano e longo período em coma.

“[Ele] ficou bem debilitado depois que saiu do hospital porque ficou seis meses em coma“, disse a filha Emily Silva.

Segundo ela, após a internação, o homem passou a enfrentar agravamento do quadro de saúde e também convivia com alcoolismo, além de períodos em situação de rua.

“Porém há 2 meses atrás eu consegui convencer ele de vir para minha casa e ele veio, ele estava 2 meses comigo. No dia do ocorrido que aconteceu na UPA, tinha 2 dias que ele que ele tinha pedido para sair da minha casa e foi e voltar para o Recanto e foi assim que aconteceu”, relatou.

A filha Emily afirmou ainda que soube da morte por meio da circulação de vídeos nas redes sociais. “No Recanto, a gente é bem conhecido, meu pai é bem conhecido, todo mundo conhece. Então, na hora que começou a circular os vídeos na internet, o familiar começou a ligar para gente”, disse.

A outra filha, Evelyn Silva, disse que a forma como recebeu a notícia foi “horrível, cruel e devastadora”. “Eu descobri através de redes sociais, infelizmente. Então, automaticamente eu me dirigi a UPA. Fui atendida pela assistente social, pela gestora da UPA. E aí, que estamos agora esperando a liberação do corpo”, afirmou.

Ela também afirmou que o pai era “um homem incrível, trabalhador”, mas que nos últimos anos passou a viver em situação de rua em razão do alcoolismo.

“Por causa das inúmeras vezes que ele foi parar lá [na UPA], toda vez já falavam que era conta do álcool, que era do álcool e nem se prestavam a fazer um exame decente para saber se o álcool tinha provocado alguma coisa ou se ele tinha adquirido alguma doença”, relatou.

 

“Evelyn completou: “O que a gente sabe é que ele estava morto dentro de uma unidade hospitalar e nenhum segurança, nenhum médico, nenhum enfermeiro se deu ao luxo de conferir se ele estava vivo ainda. Isso ainda é admissível”.

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