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ABIH vê avanço, mas cobra estratégia para turismo do RN

12/06/2026


Turistas continuam a vir de todas as regiões brasileiras e países vizinhos - Foto: José Aldenir

Após crescimento de 5,6% em abril, setor hoteleiro avalia que Estado ainda opera abaixo de seu potencial e defende mais investimentos em promoção, conectividade aérea e segurança jurídica

O crescimento de 5,6% das atividades turísticas do Rio Grande do Norte em abril, divulgado nesta quinta-feira 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi recebido com otimismo pelo setor hoteleiro, mas também com cautela. Para a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), os números confirmam uma trajetória de recuperação do turismo potiguar, embora ainda distante do potencial econômico e competitivo do Estado.

Os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostram que o Rio Grande do Norte registrou o quinto maior crescimento do turismo no País na passagem de março para abril. Na comparação com abril de 2025, o avanço foi de 9,8%, o maior do Brasil. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o setor apresenta crescimento de 3,2%, acima da média nacional de 4,1% para o mês. Para o presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, os resultados demonstram uma retomada da atividade turística, mas evidenciam também desafios estruturais que precisam ser enfrentados para garantir crescimento sustentável.

“O Rio Grande do Norte vem apresentando sinais de crescimento, com aumento do fluxo de visitantes, da ocupação hoteleira e da movimentação econômica do setor. No entanto, a avaliação da ABIH-RN é de que esse avanço ainda ocorre de forma tímida diante do potencial turístico que o Estado possui”, afirma.

Segundo Gadelha, os números reforçam a necessidade de o turismo ser tratado como uma política permanente de desenvolvimento econômico. “O Estado ainda precisa avançar em ações permanentes de promoção do destino, ampliação da conectividade aérea e melhorias na infraestrutura turística para garantir um crescimento mais consistente e sustentável”, diz.

Embora os indicadores apontem recuperação, o dirigente ressalta que ainda é cedo para afirmar que o turismo potiguar entrou em um ciclo consolidado de expansão. Ele observa que o Rio Grande do Norte ainda busca recuperar espaço perdido para outros destinos nordestinos que ampliaram investimentos nos últimos anos.

“Os números mostram que o RN passa por um processo de recuperação do turismo, mas o estado já teve, em anos anteriores, um fluxo turístico muito mais elevado. Ainda estamos tentando recuperar competitividade frente a destinos como Ceará, Alagoas, Pernambuco, Bahia e Paraíba, que possuem investimentos maiores em promoção turística”, avalia.

Na visão da entidade, o desempenho recente está relacionado à retomada gradual da malha aérea e ao fortalecimento da divulgação do destino em alguns mercados emissores. Ainda assim, a ABIH-RN considera que existe um potencial de crescimento superior ao observado atualmente. “Esse resultado é consequência de um conjunto de fatores, principalmente da retomada gradual da conectividade aérea e do fortalecimento da promoção do destino em alguns mercados estratégicos. Mas é importante fazer uma leitura cautelosa desses números”, afirma Gadelha.

O presidente da associação destaca que Estados concorrentes vêm adotando políticas mais agressivas de promoção turística e captação de voos, o que exige uma reação estratégica do Rio Grande do Norte. “Se houver planejamento estratégico, orçamento adequado para promoção e maior articulação entre setor público e iniciativa privada, o estado pode avançar muito mais”, acrescenta.

Apesar dos indicadores positivos, parte do setor ainda não percebe os reflexos do crescimento na mesma intensidade apontada pelas pesquisas oficiais. Segundo Gadelha, alguns empresários relatam que o aumento da atividade nem sempre se traduz diretamente em elevação da ocupação, da diária média ou das vendas. “Alguns dos nossos associados relatam que o desempenho apontado pelas pesquisas nem sempre tem sido percebido, na mesma intensidade, na conversão em vendas, diária média e ocupação. Isso reforça a necessidade de uma análise mais ampla dos dados e, principalmente, de ações estruturantes que fortaleçam efetivamente a demanda turística e seus impactos econômicos na cadeia do setor”, afirma.

No campo dos investimentos, a avaliação da entidade é que o cenário atual demonstra potencial, mas ainda não foi capaz de desencadear um ciclo mais robusto de expansão da hotelaria. Um dos fatores apontados pela ABIH-RN é a necessidade de maior segurança jurídica para investidores. “O Rio Grande do Norte possui atrativos competitivos e vem apresentando sinais de recuperação do turismo, porém ainda enfrenta entraves importantes que impactam a confiança do mercado”, afirma Gadelha. Entre os exemplos citados está a situação da Via Costeira, considerada pela entidade um caso que evidencia a necessidade de maior previsibilidade regulatória para novos empreendimentos. “O RN tem grande potencial, mas transformar esse potencial em novos investimentos exige um ambiente mais seguro, competitivo e favorável ao desenvolvimento turístico”, diz.

 

Para a alta temporada de julho, impulsionada pelas férias escolares, a expectativa da ABIH-RN é positiva para destinos de praia e serra. Ainda assim, a entidade avalia que fatores externos podem influenciar o comportamento da demanda. “A expectativa é positiva para a ocupação hoteleira no período, impulsionada pelo período de férias e pela procura pelos destinos de praia e serra do Estado. No entanto, o cenário também exige cautela”, afirma o dirigente.

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