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Potencial em energias renováveis abre nova fronteira econômica para o RN

05/06/2026


RN é considerado a “Disneylândia dos ventos” pelos especialistas em eólicas - José Aldenir

Estado aposta em hidrogênio verde, fertilizantes, siderurgia limpa, data centers e outras atividades para agregar valor à energia produzida e ampliar geração de empregos

Um dos líderes nacionais na geração de energia eólica em terra e dono de uma das matrizes elétricas mais renováveis do País, o Rio Grande do Norte vive um novo desafio: transformar sua vocação energética em uma plataforma de desenvolvimento industrial. A discussão, que ganhou força nos últimos anos, vai além da instalação de parques eólicos e solares. O objetivo agora é atrair indústrias capazes de utilizar a energia renovável produzida no Estado como insumo para novos processos produtivos, agregando valor à economia local, gerando empregos qualificados e ampliando a arrecadação.

O tema esteve no centro dos debates realizados durante o Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX), que aconteceu entre os dias 1º e 3 de junho em Natal.

A estratégia tem sido defendida por pesquisadores, empresários, instituições financeiras e gestores públicos como o caminho para que o Estado avance de uma condição de exportador de eletricidade para uma posição mais relevante dentro da chamada economia de baixo carbono.

A tese parte de uma constatação: o Rio Grande do Norte produz hoje muito mais energia do que consome. Segundo o professor Mário Gonzalez, doutor em Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do Grupo de Pesquisa Creation, o Estado gera atualmente cerca de 13 gigawatts-hora de energia e consome menos de 2 gigawatts-hora.

Esse desequilíbrio ajuda a explicar um dos principais problemas enfrentados atualmente pelo setor elétrico nordestino: o chamado curtailment, situação em que a geração de energia é interrompida porque a produção supera a capacidade de consumo e de transmissão disponível.

Para os especialistas, a solução não passa apenas pela ampliação das linhas de transmissão, mas também pela criação de novos mercados consumidores dentro do próprio Estado. É nesse contexto que surge a proposta de utilizar a energia renovável como matéria-prima para uma nova etapa de industrialização.

Segundo o pesquisador, a região Nordeste reúne vantagens competitivas difíceis de serem reproduzidas em outras partes do mundo. O potencial potiguar é considerado especialmente favorável por causa das características dos ventos da região. Além da velocidade, fatores como constância e direção contribuem para elevar a eficiência dos parques de geração. “Esses três indicadores fazem com que o Rio Grande do Norte possua uma das melhores qualidades para gerar eletricidade do mundo”, afirmou Gonzalez. Segundo ele, um especialista dinamarquês chegou a definir o Estado como uma “Disneylândia dos ventos” para produção de energia renovável.

 

O cenário se torna ainda mais promissor quando se considera a futura implantação da energia eólica offshore, produzida em alto-mar.

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