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Carro eletrificado muda venda, oficina e até o mercado de seminovos no RN

03/06/2026


Chegada dos eletrificados às oficinas exige ferramentas específicas, equipamentos de segurança, isolamento para sistemas de alta tensão e novos processos de diagnóstico - Foto: Reprodução

Brasil fechou o ano passado com quase 224 mil veículos leves eletrificados vendidos, recorde histórico e alta de 26% em relação ao ano anterior

O avanço dos carros híbridos, plug-in e elétricos no Rio Grande do Norte já deixou de ser apenas uma novidade de showroom. A nova fase da mobilidade eletrificada começa a mudar a forma como as concessionárias vendem, treinam equipes, preparam oficinas, fazem diagnóstico, estruturam o pós-venda e até avaliam veículos seminovos. O carro deixou de ser explicado apenas por motor, potência, design e condição comercial. Agora, a conversa envolve autonomia, bateria, recarga, software, atualização remota, garantia, custo por quilômetro rodado, infraestrutura e confiança.

O movimento acompanha uma transformação nacional. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o Brasil fechou 2025 com 223.912 veículos leves eletrificados vendidos, recorde histórico e alta de 26% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o mercado total de veículos leves cresceu 2,6%, o que mostra que os eletrificados avançaram em ritmo muito superior ao conjunto do setor. Em abril de 2026, ainda conforme dados da entidade, os eletrificados chegaram a 38.516 emplacamentos no País, com forte peso dos modelos plug-in, incluindo elétricos puros e híbridos recarregáveis.

No RN, o avanço também já aparece em números locais. Levantamento com base em dados do Detran-RN apontou que a frota de veículos 100% elétricos no Estado saltou de 427 unidades em 2022 para 3.017 até junho de 2025, alta de 607%. Natal concentrava 52,5% desse total, sinal de que a capital funciona como principal polo de adoção da nova tecnologia. A infraestrutura também começou a crescer: o estado já superou 300 pontos de recarga, incluindo eletropostos instalados em shoppings, supermercados, ruas, centros comerciais e empreendimentos privados.

Mas a mudança mais relevante não está apenas no crescimento da frota. Está na cadeia que se forma em torno dela. Para as concessionárias, o consumidor potiguar passou a chegar mais informado, mais curioso e mais exigente. Ele quer saber se o carro chega a Pipa, Mossoró ou ao interior sem susto; se há recarga fora de casa; se é possível instalar wallbox em condomínio; quanto tempo dura a bateria; qual será o valor de revenda; quem fará a manutenção; se haverá peça disponível; e se a concessionária está preparada para atender o veículo depois da compra.

Na Geely Redenção, em Natal, o gerente Ítalo Rodrigo Andrade de Lima avalia que o crescimento dos eletrificados tem sido “impressionante” e segue uma curva acelerada. Segundo ele, a Redenção Geely emplacou, apenas no varejo, sem venda direta, 282 carros em abril, resultado tratado pela operação como recorde. Para Ítalo, o carro eletrificado já deixou de ser visto como artigo de nicho ou “segundo carro de luxo” e passou a ser considerado escolha principal por muitas famílias potiguares.

Ele atribui esse avanço à chegada de novas tecnologias de bateria, ao melhor custo-benefício e à percepção de economia no bolso. “O interesse é real, maduro e diário no showroom”, afirma. As principais dúvidas, segundo o gerente, concentram-se em autonomia, infraestrutura de recarga, instalação de carregador residencial, desvalorização e durabilidade da bateria. O cliente de Natal, diz ele, chega mais informado, mas ainda precisa vencer barreiras culturais antes de fechar negócio.

A BYD Carmais também identifica uma mudança clara de comportamento. O diretor regional Vanderson Oliveira afirma que o consumidor potiguar passou a enxergar os eletrificados não apenas como inovação, mas como solução real de mobilidade, economia e tecnologia. Segundo ele, nos últimos meses houve aceleração importante na procura por modelos híbridos e 100% elétricos, especialmente em Natal e nas principais cidades do estado. “Hoje existe um público muito mais informado, conectado às tendências globais e disposto a investir em veículos com maior eficiência energética, menor custo operacional e mais recursos tecnológicos”, diz.

A marca chinesa, que já ocupa posição de destaque no segmento no Brasil, vê o test-drive como um divisor de águas. Vanderson afirma que muitos consumidores mudam a percepção depois de conhecer o desempenho, o conforto, o silêncio na condução e a economia no uso diário. Para atender essa demanda, a BYD Carmais está construindo uma nova concessionária com estrutura maior no estado. A operação também projeta um portfólio mais amplo: segundo o executivo, a BYD deve trazer até o fim do ano mais sete modelos novos, entre híbridos e 100% elétricos.

 

Na GAC, representada pelo Grupo A. Cândido, o diretor Marcelo Vadalá trata o fenômeno como transformação de mercado, não mais como tendência. Ele lembra que os eletrificados cresceram muito acima do mercado convencional e afirma que Natal começa a entrar nesse movimento de forma consistente. Para Vadalá, o consumidor mudou a pergunta. Antes queria saber o que era um carro elétrico; agora quer entender qual modelo faz mais sentido para a própria rotina.

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