Novo remédio dobra sobrevida em câncer de pâncreas
02/06/2026

Novo remédio dobra sobrevida em câncer de pâncreas - Foto: Freepik
Daraxonrasib reduziu em 60% o risco de morte e apresentou menor taxa de efeitos colaterais em comparação à quimioterapia convencional
Um novo medicamento experimental para câncer de pâncreas metastático apresentou resultados que levaram médicos e pesquisadores a aplaudirem de pé durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em Chicago. O estudo RASolute 302 avaliou o daraxonrasib, comprimido desenvolvido pela farmacêutica Revolution Medicines, em pacientes que já não respondiam à quimioterapia convencional.
O ensaio clínico de fase 3, considerado o padrão mais rigoroso da pesquisa médica, envolveu 500 pacientes divididos aleatoriamente entre tratamento com o novo medicamento e quimioterapia. Entre aqueles com a mutação RAS G12, a mais comum no câncer de pâncreas, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,6 meses no grupo da quimioterapia. O risco de morte caiu 60%, enquanto o tempo até a progressão da doença aumentou de 3,5 para 7,3 meses. Além disso, 31% dos pacientes tratados apresentaram redução mensurável do tumor, ante 11,2% no tratamento convencional.
Outro dado que chamou atenção foi a baixa taxa de interrupção do tratamento por efeitos colaterais: apenas 1,2% dos pacientes que utilizaram o medicamento precisaram suspender a terapia, contra 11,2% no grupo da quimioterapia.
Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Oncology e levaram os pesquisadores a concluir que o daraxonrasib deve se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.
Para o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, que acompanhou a apresentação em Chicago, os resultados representam um avanço raro para uma das doenças mais letais da oncologia.
“Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade, impacto real em sobrevida e um mecanismo inédito para essa doença”, afirmou.
Segundo ele, o estudo mostra que a medicina está avançando em uma área onde, até agora, havia poucas alternativas eficazes para os pacientes.
O próximo passo será a análise regulatória pela FDA, agência de medicamentos dos Estados Unidos. No Brasil, uma eventual chegada da terapia ainda dependerá da aprovação da Anvisa e de avaliações sobre cobertura pelos planos de saúde e incorporação ao sistema público.
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