Casos confirmados de ciguatera chegam a 20 no RN em 2026
28/05/2026

Toxina não é eliminada por cozimento, congelamento ou salga do pescado - Foto: José Aldenir
Estado contabiliza 27 surtos neste ano; idosa de 84 anos morreu após consumir peixe contaminado
O Rio Grande do Norte já registrou, em 2026, 20 pessoas com confirmação laboratorial para ciguatera, segundo dados do quadro de distribuição dos casos compatíveis com a intoxicação no Estado. O levantamento da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) aponta ainda 27 surtos registrados, quatro casos isolados e 131 pessoas doentes neste ano.
Além dos casos confirmados de ciguatera, o Estado contabilizou 64 pessoas com suspeita da intoxicação em 2026. O levantamento também registra 44 pessoas com confirmação laboratorial para histamina no mesmo período, ou seja, reação alérgica.
Os dados fazem parte da série histórica de notificações entre 2022 e 2026 e mostram crescimento no número de surtos registrados neste ano em comparação aos anteriores. Em 2025, por exemplo, foram contabilizados 13 surtos, dois casos isolados e 88 pessoas doentes. Naquele ano, 54 pessoas tiveram confirmação laboratorial para ciguatera e 31 permaneceram como suspeitas.
Em 2024, o Estado registrou um surto, um caso isolado e quatro pessoas doentes. Não houve confirmação laboratorial para ciguatera naquele ano, mas quatro pessoas foram classificadas como suspeitas.
Já em 2023, o levantamento aponta cinco surtos registrados, 16 doentes e 10 confirmações laboratoriais para ciguatera, além de seis casos suspeitos. Em 2022, foram registrados um surto, 10 pessoas doentes e 10 confirmações laboratoriais para a intoxicação.
No acumulado entre 2022 e 2026, o Rio Grande do Norte soma 47 surtos registrados, sete casos isolados e 249 pessoas doentes relacionadas a casos compatíveis com ciguatera. Ao todo, 96 pessoas tiveram confirmação laboratorial para a doença ao longo do período analisado, enquanto 103 casos permaneceram como suspeitos. Também foram registradas 44 confirmações laboratoriais para histamina, todas em 2026.
Idosa morreu após intoxicação em Natal
Uma idosa de 84 anos morreu na noite da segunda-feira 25, em Natal, após complicações causadas por intoxicação por ciguatera, toxina associada ao consumo de peixes contaminados. Maria das Dores do Nascimento Batista, conhecida como Dona Dorinha, estava internada desde o dia 26 de abril. A informação foi divulgada pelo filho da vítima, Lucano Batista, em entrevista à TV Ponta Negra.
Segundo familiares, Dona Dorinha havia apresentado melhora nos últimos dias. Ela chegou a ser extubada e deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu ao agravamento do quadro clínico. A família informou que a idosa e a irmã passaram mal após consumirem peixe durante um almoço. O alimento teria sido comprado em uma feira livre da capital potiguar.
As duas precisaram ser hospitalizadas após apresentarem sintomas de intoxicação. A irmã de Dona Dorinha recebeu alta cerca de uma semana depois, enquanto a idosa permaneceu internada até o falecimento. O sepultamento de Dona Dorinha ocorreu na terça-feira, no cemitério João Mucuripe, em Alto do Rodrigues.
O que é a ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. As toxinas são produzidas por microalgas invisíveis a olho nu.
Peixes menores consomem essas algas e transmitem a toxina para peixes maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome um desses peixes contaminados, pode desenvolver sintomas que variam de problemas gastrointestinais a alterações neurológicas.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, além de não serem eliminadas por métodos convencionais de preparo, como cozimento, congelamento, salga ou defumação. A toxina permanece ativa mesmo após o preparo do pescado e a digestão. As maiores concentrações estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Sintomas
Segundo a Sesap, os principais sinais e sintomas da ciguatera aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado. Entre eles estão: Dor abdominal; náuseas; vômitos; diarreia; dores de cabeça; cãibras; coceira intensa; fraqueza muscular; visão turva; e gosto metálico na boca.
Os sintomas podem persistir por semanas ou meses. Ainda segundo a Sesap, não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O tratamento é voltado para o controle dos sintomas apresentados pelos pacientes.
Recomendações
A Sesap orienta a população a procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis com intoxicação, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas. A recomendação também é identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária.
O órgão ainda orienta evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.
Essa publicação é um oferecimento
















